Yaya KANTE com Fact-Check Guiné-Bissau
Este artigo de verificação de factos foi redigido pelo CJID (Centro para o Jornalismo, Inovação e Desenvolvimento) através da sua plataforma Dubawa e publicado pela Fact-Check Guiné-Bissau no âmbito da parceria com a WANEP e a RENARC.
FATO: Pta Psate, através de uma publicação no Facebook, afirma que Carlos Gomes Júnior e Umaro Sissoco Embaló são responsáveis pelo assassinato de João Bernardo “Nino” Vieira e do general Batista Tagme Na Waié.
VEREDITO: FALSO. Nenhum julgamento público nem condenação judicial definitiva permitiu estabelecer as responsabilidades neste duplo assassinato. Além disso, nenhuma prova nem fonte credível permite confirmar as acusações contra Umaro Sissoco Embaló e Carlos Gomes Júnior.
TEXTO
Numa publicação datada de terça-feira, 11 de novembro de 2025, Pta Psate afirma, citando um suposto relatório oficial de investigação, que foram Umaro Sissoco Embaló e Carlos Gomes Júnior que assassinaram, em 2009, o presidente João Bernardo «Nino» Vieira e o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagme Na Waie. Como elemento justificativo, ele argumenta que o presidente Embaló teria permanecido em silêncio sobre o assunto desde a sua eleição para a magistratura suprema.
Segundo o autor da publicação, «as informações recolhidas indicam que o dinheiro utilizado para a operação e a bomba que custou a vida ao general Tagme Na Waié foram transportados por Umaro Sissoco Embaló, com o apoio do antigo presidente líbio Muammar Kadhafi», pode ler-se na mensagem.
VERIFICAÇÃO
Fizemos pesquisas online para encontrar esse suposto «relatório oficial de investigação» que teria envolvido Umaro Sissoco Embaló e Carlos Gomes Júnior, mas não encontramos nenhum vestígio desse documento.
Encontrámos um relatório do Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com sede em Abuja, na Nigéria. A Sra. Nazaré Gomez de Pina, esposa do presidente João Bernardo «Nino» Vieira, apresentou, em 3 de março de 2017, um recurso por violação dos direitos humanos no secretariado do Tribunal de Justiça da CEDEAO contra a República da Guiné-Bissau, Estado-membro da comunidade, junto do Tribunal de Justiça da CEDEAO. No acórdão proferido, pode ler-se: «O Tribunal constata que o Estado da Guiné-Bissau violou o direito à vida do falecido presidente João Bernardo Vieira, bem como o direito de acesso à justiça dos seus herdeiros. Consequentemente, condena a República da Guiné-Bissau, a título de reparação, a pagar a quantia de 10 milhões de francos CFA (mais de 15 200 euros) à senhora Nazaré Gomez de Pina e 10 milhões a cada um dos seus três filhos, Eden João Gomez de Pina Vieira, Joao Bernado Veira Junior e Thirzah de Pina Bernardo Vieira», fim da citação. Mas este relatório do Tribunal de Justiça da CEDEAO não era de forma alguma contra indivíduos.
Portanto, até o momento, não há nenhum elemento confiável, oficial ou judicial que permita comprovar a veracidade das alegações divulgadas no Facebook por Pta Psate. Desde esses eventos, nenhum julgamento público ou condenação judicial definitiva permitiu estabelecer as responsabilidades pelo duplo assassinato de João Bernardo “Nino” Vieira e do general Tagme Na Waié.
CONCLUSÃO
As acusações divulgadas por Pta Psate baseiam-se num documento inexistente e não se apoiam em nenhuma decisão judicial.
Este artigo de verificação de factos foi redigido pelo CJID (Centro para o Jornalismo, Inovação e Desenvolvimento) através da sua plataforma Dubawa e publicado pela Fact-Check Guiné-Bissau no âmbito da parceria com a WANEP e a RENARC.



